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Paracatu,12/06/2024

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Exposição de retratos em Paracatu busca tirar professores negros da invisibilidade

MPMG
Exposição de retratos em Paracatu busca tirar professores negros da invisibilidade Divulgação

Com o objetivo de construir iniciativas de reparação no âmbito do combate ao racismo ambiental, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Paracatu, na Região Noroeste do estado, realiza entre os dias 24 de maio e 15 de setembro a exposição “Muros Invisíveis: Professores Negros”. Serão expostos 21 retratos de professores negros da rede pública de ensino com a intenção de homenageá-los e tirá-los da invisibilidade. A mostra será feita na Praça da Matriz de Santo Antônio (Rua Doutor Sérgio Ulhôa, Centro), no Centro Histórico de Paracatu.

A exposição conta ainda com a participação do Centro de Apoio do Meio Ambiente (Caoma), por meio da “Plataforma Semente”, da “Associação Cultural Sempre um Papo” e da Prefeitura Municipal de Paracatu. A abertura oficial será realizada nesta sexta-feira, 24 de maio, às 18h, e contará com a presença de autoridades, dos professores retratados e suas famílias, e do público em geral.

Os totens da exposição “Muros Invisíveis: Professores Negros” terão imagens dos professores selecionados e também uma autobiografia, contando um pouco sobre as histórias e trajetórias profissionais dos educadores. Eles foram selecionados pelos curadores Rose Bispo e Kassius Kennedy e os registros fotográficos feitos por Lucas Souza. Os painéis contém informações biográficas acessíveis (com libras) e audiodescrição.

A promotora de Justiça de Paracatu, Mariana Duarte Leão, destaca que “o negro tem sido representado de forma desumanizada e estereotipada, só tendo algum valor quando sua imagem é associada ao esporte ou música. Através desse projeto, o Ministério Publico busca combater esses estereótipos e moldar o imaginário coletivo através da valorização de educadores”.

O presidente da Associação Sempre um Papo, Afonso Borges, afirma que “a Plataforma Semente foi a ação pública de reparação mais consistente e genial criada no âmbito do Ministério Público dos últimos 50 anos no Brasil e que as pessoas precisam conhecê-la”.

Os professores que compõem a exposição “Muros Invisíveis: Professores Negros” são Benedita Gomes da Mota, Cristina Aparecida Damasceno Rodrigues, Dirce Coelho Guimarães Camargo, Eleidmar Soares Gonçalves, Flávia Pereira Gonçalves, Gilda Gonçalves Braga, Iva Monteiro de Melo, Izabel do Carmo Alves Oliveira, José Eustáquio Nunes Costa, Laiza Rodrigues Alves, Lidis Maria Soares Rocha, Márcia de Castro, Maria de Jesus Barbosa Feliciano, Marlene Costa Oliveira, Naiara Costa Martins, Pedro Afonso Martins, Ramon Viana Freitas, Rosa Helena Sousa Neto, Selma Bispo dos Anjos Silva, Suzana Damasceno Oliveira e Virgínia Teodoro da Silva.

De acordo com a curadora Rose Bispo, que é quilombola, capoeirista, percussora da cultura afro-brasileira e presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e Gestora da Igualdade Racial no Município (Compir), a seleção dos professores negros visa representar a diversidade e relevância desses profissionais na sociedade. “Foram considerados aspectos como a trajetória profissional, acadêmica e tradicional, a contribuição para a educação e para a comunidade, além do impacto de seus trabalhos na promoção da igualdade racial e na valorização da cultura afro-brasileira. Quanto à seleção, também foi considerada a representatividade de diferentes áreas do conhecimento, levando em conta que Paracatu possui uma vasta tradição da população negra e quilombola”, explica.

Rose Bispo e o parceiro de curadoria, Kassius Kennedy, avaliam que a realização da exposição em Paracatu é de extrema importância, e por diversos motivos: “Primeiramente, ela contribui para a valorização da história e da cultura afro-brasileira de uma população que tem 73% de seu povo preto, ressaltando a importância dos professores negros e seu legado para a educação e para a sociedade como um todo. Além disso, a exposição pode promover reflexões sobre a igualdade racial, a diversidade e a inclusão, temas fundamentais para a desconstrução de um novo pensar”. 

Por fim, ao trazer a exposição para Paracatu, “a iniciativa pode estimular o diálogo e o intercâmbio cultural entre diferentes comunidades, enriquecendo o cenário cultural e educacional local”, ressaltam Rose e Kassius.

Ciclos de debate

Além da exposição, acontece, em paralelo, um ciclo de debates virtuais com a participação dos professores negros retratados, defensores e pessoas atuantes na temática, a fim de aprofundar a compreensão das questões étnico-raciais e incentivar a discussão construtiva em torno desse tema tão crucial para a sociedade como um todo. A ideia é que, por meio desses encontros, seja feita uma análise da trajetória desses professores nas escolas de Paracatu, discutindo como esse legado impacta as lutas sociais e políticas no presente, inspirando e fortalecendo o protagonismo negro na sociedade.

Com os debates, somados à exposição, o objetivo se amplia ainda mais, buscando promover a conscientização e o diálogo na cidade mineira por meio da retratação da realidade histórica e contemporânea da questão racial. O projeto, como um todo, busca proporcionar um espaço de reflexão, aprendizado, além de contribuir para a promoção da igualdade, inclusão e respeito à diversidade racial, incentivando a participação ativa da comunidade e das instituições educacionais locais.

Dados do IBGE

O Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que Minas Gerais conta com a terceira maior população quilombola do país. Indo além, a cidade de Paracatu tem cinco quilombos e está entre os dez municípios com mais quilombolas no Estado, contabilizando quase 3 mil pessoas. Diante disso, o ciclo de debates e a exposição “Muros Invisíveis: Professores Negros” tornam-se ainda mais relevantes, uma vez que traz representatividade e visibilidade dessa parcela da população de Paracatu, visando promover ideias para mitigar as adversidades enfrentadas pelos negros, meta da Plataforma Semente.

Plataforma Semente

A Plataforma Semente é um dos maiores banco de projetos sociais do país. Por meio de um sistema virtual de amplo acesso em Minas Gerais, são cadastrados projetos de defesa dos direitos difusos e coletivos apresentados por instituições do terceiro setor, empresas privadas e poder público. Com o apoio de uma equipe multidisciplinar, cada iniciativa é supervisionada desde a sua contemplação até a divulgação dos relatórios de prestação de contas e execução técnica. Desta maneira, a Plataforma Semente garante democratização, transparência e segurança jurídica aos Promotores de Justiça na destinação de recursos oriundos de Medidas Compensatórias.


Com informações da Associação Cultural Sempre um Papo




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